domingo, 18 de fevereiro de 2018

Desfolhar de Alma...




Resultado de imagem para imagem de pintura de Elzbieta Brozek



Ela, nos lábios, a cor do desejo surpreendido de espaços explosivos e uma ternura maestrina conduzindo a melodia dos olhos, neste encontro milenar em segundos de reconhecimento...

Os gestos na tradução da música dos corpos, envolvidos da pele da alma, a dizer o sim da eternidade!

A emoção é um caminho único, carrega o prazer num alongamento dos sentires, o sorriso se posiciona fácil no espaço da alegria e as mãos dançarinas acompanham na entrega do amor.

Ela, nos olhos, um brilho seu, “de uma cor que ninguém possui” guardou este desfolhar de alma, serenamente e sem prazo de validade.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Andrew Astroshenko.






quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Corpo da Poesia




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Todos os silêncios cantam
A paz escolhida,
À recusa da fera
De briga inútil.

Silencio até
Ficar muda,
Afastando os barulhos
Que arranham a alma,
Sem dó e piedade.

A serenidade é
Um trabalho árduo
Da arte de dizer
Não
Para violência.

E neste recolhimento
Profundo,
Escuto a poesia
No corpo da minha alma,
Vestindo a minha respiração
Dos dias...






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vicente Romero Redondo.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Esvaziamento das Mãos




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Um esvaziamento na sombra das palavras,
num peso por dentro
a não dar sentido de nada.

As setas caíram num abismo
sem nenhuma certeza...

E este olhar                
atravessa
as paredes do vago
                          mundo
que corre
           os sonhos
das mãos.

Existe uma porta
que não fecha,
um brilho bem no centro
dos olhos                                                   
que guardam os
sonhos,
bordados neste vazio das mãos.

Quando tudo
Parece vazio,
talvez
seja o momento
de construir
um sonho guardado!




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: obra de Dorina Costras.




                     


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Grande Poema - Augusto Dos Anjos -





       Vandalismo


   Meu coração tem catedrais imensas,
    Templos de priscas e longínquas datas,
    Onde um nume de amor, em serenatas,
    Canta a aleluia virginal das crenças.

    Na ogiva fúlgida e nas colunatas
    Vertem lustrais irradiações intensas
    Cintilações de lâmpadas suspensas
    E as ametistas e os florões e as pratas.

    Como os velhos Templários medievais
    Entrei um dia nessas catedrais
    E nesses templos claros e risonhos...

    E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
    No desespero dos iconoclastas
    Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


Autor: Augusto Dos Anjos.

Livro: Eu E Outras Poesias. 








sábado, 20 de janeiro de 2018

Incorporados de Asa









Navego no teu ar e no 
teu pedido das minhas palavras
na tua boca.
Fica na altura do céu a doçura
dos meus olhos, mergulhados nos teus.

Os meus passos seguidos dos teus,
no rastro que nos arrebata,
na sede de nossas fontes,

Afogados em nossos desejos,
no recanto da nossa casa,
ficamos nus:
incorporados de asas,
livres no voo do som!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Roberto Ferri.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Negritude Solar...










Todos os silêncios recolhidos dentro da palavra, a semear do meu olhar o esquecimento das horas.

Há a sensação vagarosa da vida que não desiste dela mesma.

Há a lembrança da minha gata, a ficar na sombra dos meus olhos, como recado do amor eterno...

Um sorriso sempre me escapava das suas travessuras de gata insolente, que carregava o tempo na preciosidade imprescindível do carinho.

Existia nos seus olhos amarelos todo o movimento do dia, no percurso da dança, na alegria urgente da vida!

Ela com a sua negritude, trazia-me sempre o sol da esperança: o recomeço do meu sorriso...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe.

  
  

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Às Vezes Tem Dias Assim





               



                Às vezes tem dias assim,


            que nos consomem sem existência...

            Uma sensação profunda de estranheza,

            um esforço em busca de beleza

            que está ao nosso alcance:

            o cheiro da chuva,

            a dança das folhas ao vento,

            o som do mar sobre as pedras em explosão.

            E retorno para o início:

            onde a estranheza, na sua pequenez

                  tornou-se liquida

                                lacrimosa

                                          num sentir

                                               rendido

          pela contemplação da vida

                  na sua beleza maior.



        Às vezes tem dias assim,

        pintados de tristeza...

       Mas, abrindo a janela para a natureza;

       todas as cores iluminam

            um novo sentir,

       refeito de vida que pulsa

                       a música

                                do ritmo

                                     de cada dia...



     Às vezes tem dias assim,

     cansados na rotina;

        pessoas,

        tarefas,

       notícias.

    Mas nunca canso

    de abrir a minha janela à natureza,

   com as minhas asas abertas

                            voar neste sentir,

                                           que me ressuscita.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem do Google

(reedição)